"VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?" - Mensagem pastoral de Dom Rubens Sevilha de 15 de março de 2020


“Os discípulos insistiram com Jesus, dizendo: Mestre, come!” (Jo 4,31). Todo ser humano tem fome de algo para manter-se vivo. Além da fome física, temos também a fome da alma que são os nossos desejos mais profundos, nossos instintos, nossas necessidades e emoções. Temos sede de sentido, sede de conhecimento e explicação da realidade que nos rodeia a qual damos o nome de vida. De fato, nem só de pão vive o homem.

Todo ser humano será sempre um faminto, sempre desejando algo e nunca, durante esta vida terrena, conseguindo saciar completamente sua fome. Por mais que conheça, sempre faltará muito mais para conhecer (só sei que nada sei!), por mais que possua sempre haverá muito mais para possuir, por mais que se sinta amado, sempre desejará mais amor e por mais feliz que seja, sempre lhe faltará felicidade o que é inerente da condição humana, neste mundo.

Todavia, estamos no mundo, mas não somos do mundo (Jo 17,14). Somos cidadãos do céu. Nascemos de Deus, vivemos mergulhados em Deus (mesmo aqueles que não sabem disso!) e retornaremos para Deus na vida eterna após a nossa morte corporal. A vida da alma deve ser também alimentada. Infelizmente, hoje, muitos sofrem de desnutrição espiritual e tem a alma anêmica. Muitos passam fome espiritual ou consomem alimentos ruins.

“Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis” (Jo 4, 32). De fato, após dois mil anos de cristianismo, creio que ainda não conhecemos e, portanto, não saboreamos o verdadeiro alimento que desce do céu. Alguns vão logo imaginar que o alimento de Deus são milagres, alegrias e gozos espirituais, ideias e palavras maravilhosas ou pureza asséptica de laboratório. Mas, disse-lhes Jesus: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4, 34).

Portanto, também para nós os seguidores de Jesus o nosso alimento deve ser o mesmo alimento d’Ele: fazer a vontade do Pai e realizar a sua obra. Não é fácil seguir Cristo, não é fácil ser cristão. É preciso renunciar a si mesmo e perder a própria vida. O alimento mundano é o contrário do alimento de Jesus. Enquanto o seu alimento é fazer a vontade de Deus, nós preferimos fazer a nossa vontade, enquanto Jesus aceita realizar a obra do Pai, nós queremos realizar a “nossa” obra, segundo os nossos projetos e desejos egoístas.

Todo egoísta tem a alma subnutrida e esfomeada. O egoísta come vento. “Efraim alimenta-se de vento e corre o dia inteiro atrás do vento do oriente, ele multiplica mentira e violência” (Oseias 12, 2). Muitos alimentam a própria existência com vaidades, ambições e prazeres, ou seja, comem vento.

O verdadeiro alimento da existência humana é fazer o bem sem olhar a quem, é realizar a obra ou a missão que Deus nos confiar sendo, essencialmente, colocar amor onde falta amor. Curiosamente, Jesus resume o que alimenta a sua vida com dois verbos que indicam ação: fazer e realizar. Deduzimos que o alimento da vida do cristão deva ser também este: agir, fazer a vontade de Deus (seja ela qual for!) e realizar a obra do Pai que é a construção do seu reino de amor, paz e justiça.

A Igreja não é uma fábrica de alimento divino, ela é somente a encarregada de receber, conservar e distribuir o Pão vivo que desceu do Céu que é Jesus. E aqui vai uma maravilhosa informação: a distribuição é totalmente gratuita. Meu irmão e minha irmã, não passemos fome. Deus tem uma farta mesa preparada para nós. Sejamos felizes!

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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