VOCÊ É UMA MISSÃO NESTE MUNDO - POR DOM RUBENS SEVILHA


Inevitavelmente todos nós temos que enfrentar duas coisas que se mesclam no caminho da nossa vida: primeiro, o sentido ou o rumo desse caminho e, segundo, os muitos obstáculos que ele contém. Muitos se fixam nos múltiplos problemas que o caminho da vida apresenta e se esquecem de olhar qual a sua direção.

O principal é descobrir qual é o sentido da própria existência, caso contrário, ao caminhar sem rumo e sem direção, não haverá motivação para enfrentar tantos obstáculos, tornando-os ainda mais pesados. De fato, o grande dilema da existência não é a quantidade de problemas, mas a falta de sentido da vida.

Qual é o sentido da vida? Para nós, cristãos, a resposta é clara: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar todos os irmãos e irmãs que cruzarem o nosso caminho, como Jesus os ama. Esta é a missão que Deus confiou a cada um de nós. Neste sentido, o Papa Francisco escreveu: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso por de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra e para isso estou neste mundo” (EG 273).

Infelizmente muitos se assemelham aos andarilhos de beira de estrada, caminhando horas a fio, indo de lugar algum para lugar nenhum. O resultado disso é um grande número de pessoas desanimadas e cansadas da vida. O problema não é o excesso de problemas, mas a carência de sentido para viver. O egoísmo é a grande doença do nosso tempo e, literalmente, está matando a muitos.

A vacina para o egoísmo chama-se solidariedade. É preciso promover a reeducação da alma humana ou na linguagem religiosa, precisamos passar por um processo de conversão. Amar a Deus sobre todas as coisas significa que Deus está acima do dinheiro: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24). Deus está acima das pessoas: “Quem ama seu pai e sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10,37). Enfim, Deus está acima da nossa própria existência: “Quem se apega à própria vida vai perdê-la, mas quem perde a própria vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 10,39).

Amar o próximo como Jesus o ama, significa ser bom e fazer o bem sempre. Sabemos que “Ele passou fazendo o bem” (Atos 10, 38). Aqui está, portanto, o sentido da vida. Aquele que tem fé sabe que, em todas as coisas, inclusive nos obstáculos e sofrimentos, há sempre um porquê de Deus. Até do mal Deus tira o bem.

Creio que hoje as novas gerações não estão sendo treinadas para sofrer e, despreparadas, se desesperam e se assustam diante da dor. Resumindo, o ser humano hoje está cada vez mais infantil, medroso, covarde e, consequentemente, há aumento de doenças psíquicas, vícios e suicídios, especialmente entre adolescentes e jovens.

Está faltando Deus na vida das famílias para assim restaurar a saúde espiritual dos nossos jovens. Está faltando Deus no coração humano e, por isso, ele está se desumanizando e se desesperando. A presença de Deus, acolhida na fé, plenifica a nossa existência e torna a nossa pequenez em fermento bom que transforma a massa do mundo ao nosso redor. Sendo humildes, isto é, reconhecendo nossa natural pequenez com sua fragilidade, mas nos lançando confiantemente nos braços do Pai e deixando-nos carregar por Ele, então tudo estará resolvido!


Dom Frei Rubens Sevilha, OCD.

Bispo da Diocese de Bauru.

Artigo Semanal de 1º de dezembro de 2019.


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