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SEMANA SANTA DIFERENTE - Mensagem Pastoral de Dom Rubens Sevilha, OCD


Hoje, com a celebração do Domingo de Ramos iniciamos a profunda caminhada espiritual da Semana Santa. Ela é um tempo forte de profunda experiência espiritual e deve ser como um tempo de retiro espiritual. Sem dúvida, neste ano, a nossa Semana Santa será especial, pois este tempo difícil que estamos vivendo nos unirá ainda mais ao sofrimento de Jesus e à sua solidão na dor e, com Ele, ressurgiremos vencedores do mal e da morte.

A liturgia da Semana Santa tem uma riqueza espiritual única. Não se trata de folclore ou de simples tradição que, aliás, tem também seu valor mas, trata-se de uma riqueza infinitamente maior que é a renovação e aprofundamento da nossa fé pelas graças espirituais que recebemos através das ações litúrgicas.

Na liturgia revivemos e experimentamos misteriosamente a graça amorosa de Deus nos atingindo. Algumas vezes a ação de Deus atinge também os nossos sentimentos ou ideias. Mas, na maioria das vezes, não sentimos nem percebemos nada sobretudo quando Ele atinge somente o mais profundo de nossa alma. O agir de Deus em nosso ser e no nosso mundo vai infinitamente além daquilo que podemos sentir ou entender com a nossa pobre razão. Na sagrada liturgia alimentamos e expressamos a nossa fé.

Na Semana Santa há uma torrente de graças espirituais a medida em que acompanhamos os passos de Jesus que deu sua vida para nos salvar. Seguindo o relato dos Santos Evangelhos, começamos com o Domingos de Ramos, saudando Jesus que entra em Jerusalém humildemente montado em um jumentinho (Mc 11, 7-11). Curiosamente, essa mesma multidão que aclamará Jesus com seus ramos nas mãos gritando: “Hosana ao Filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor!” será a mesma que, na sexta-feira seguinte, gritará: “Crucifica-o”.

Neste ano, infelizmente, não poderemos celebrar a Missa do Crisma, que reúne em torno do Bispo Diocesano todo o clero e o Povo de Deus. Nessa missa única e especial são abençoados os três óleos que serão usados para os sacramentos nas várias paróquias e capelas: o óleo dos catecúmenos (batismo), óleo dos enfermos e o óleo do crisma. Por orientação da Santa Sé (Vaticano) esta Missa foi a única celebração da Semana Santa que foi adiada, pois ela, necessariamente, requer a participação de todo o clero.

Chegamos ao auge da Semana Santa que é o Tríduo Pascal. Na quinta-feira santa revivemos a última ceia onde Cristo instituiu a Sagrada Eucaristia e, por isso, depois de dois mil anos nós obedecemos à sua ordem: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). Naquela ceia, Jesus também fez um gesto profundamente simbólico ao lavar os pés dos discípulos e nos exortou: “Pois bem, se eu lavei os pés de vocês, eu que sou o Senhor e o Mestre, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo, para que vocês façam do modo como eu fiz” (Jo 13,14). As toalhas do altar serão retiradas e ele ficará desnudado até o sábado, em sinal de luto.

Na sexta-feira santa, dia de Jejum e abstinência, celebramos a paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nesse dia não se celebra a missa em nenhuma igreja do mundo, somente a celebração da Paixão do Senhor às 15h, hora em que Jesus morreu. É feita a leitura de todo o relato da Paixão do Senhor, em seguida Cristo é adorado e beija-se a cruz onde Ele foi crucificado. A celebração termina em profundo silêncio.

No sábado santo temos o ápice do tríduo pascal onde celebramos a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A celebração começa com o templo no escuro. Acende-se o Círio Pascal, grande vela que simboliza o Cristo Vivo, luz do mundo. O presidente da celebração adentra a igreja escura e canta: Eis a luz de Cristo! As velas e as luzes do templo se acendem. Cristo está vivo, a morte foi vencida, a luz do bem destruiu as trevas do mal.

Provavelmente, em razão do isolamento social, não poderemos celebrar a Semana Santa com a presença dos fiéis mas, com certeza, estaremos todos unidos espiritualmente e também pelos meios de comunicação e pela internet.

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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