PERMANECEI NO MEU AMOR -Dom Frei Caetano Ferrari, O F M


O amor maior: dar sua vida por aqueles que se ama - Jo 15,9-17

Nesta página do Evangelho, João aprofunda a sua reflexão sobre o mandamento do amor, cuja expressão maior é dar a vida por quem se ama. É sequência da parábola da vinha, lida no domingo passado, quando Jesus disse “Eu sou a videira, e vós, os ramos. Sem mim nada podeis fazer” (cf Jo 15,1-8). Uma união vital e fecunda entre a videira e os ramos, segundo Jesus diz, se realiza quando a vida que nEle corre, do tronco da vinha para nós os seus ramos, estiver enraizada, e de fato o está, na realidade do amor sublime, divino, que vem de Deus para nós e de nós vai para Deus. A força e vigor do amor misericordioso de Jesus que nos tornou capacitados a cumprir em tudo a vontade do Pai primeiramente desceu de Deus para nós e em seguida subiu de nós para Deus. Porque a realidade essencial da comunhão de vida com Deus baseia-se no mandamento do amor de Deus. Como Jesus diz: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto e para que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome ele vos dê. Isto vos ordeno: amai-vos uns aos outros”. De tal modo que somente depois desta experiência do amor de Cristo, que deu a sua vida por nós, é que podemos compreender o mistério do amor de Deus. Ou seja, este é o mistério de Deus, Deus é a fonte do amor. Não foi por outro amor senão por este que Deus animou Jesus a dar sua vida por nós e nos ensinou a amar-nos mutuamente com amor profundo. Quão maravilhoso é este amor de Deus que se revela na doação de Cristo por nós, o qual nós devemos pôr em prática em relação com os irmãos e irmãs da comunidade e depois estender aos outros seres humanos da sociedade. Assim Jesus o diz: “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor... Este é meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Por nossa fé em Deus, somos seus filhos e filhas. Mas pela experiência da caridade é que professamos nossa fé em Deus.

Deus é amor - 1Jo 4,8-10

Se no Evangelho João afirma que Deus é a fonte do amor divino derramado em Jesus, nesta Carta João não usa de evasivas, mas declara com clareza que “Deus é Amor”, por isso é a fonte. Não é uma afirmação filosófica, dedutível da ciência, da lógica ou da teoria do conhecimento. A experiência de Deus que Jesus fez é a experiência do amor. O amor de Cristo é maior do que todos os amores humanos, porque vai até a doação total de si mesmo em favor daqueles que Ele ama. Experimentar o amor de Deus em sua essência é participar do mistério mais profundo de Deus que deu seu Filho por nós. Assim sendo, entrar na comunhão do amor de Deus não significa antes de tudo que amamos a Deus, mas que Deus por primeiro nos amou.

O Espírito Santo é derramado sobre os pagãos - At 10,25-26.34-35.44-48

Aqui em Atos, Lucas conta a conversão do pagão Cornélio por Pedro que foi ao seu encontro e o batizou. Pela efusão do Espírito sobre os pagãos, Deus demonstrou não fazer acepção de pessoas, mas em qualquer nação quem o teme e pratica a justiça, seja judeu seja pagão, torna-se agradável a Ele. O Espírito desceu sobre todos os fiéis de origem judaica, que tinham vindo com Pedro. Eles ficaram admirados de que o dom do Espírito fosse derramado também sobre os pagãos. Pois eles os ouviam falar e louvar a grandeza de Deus em línguas estranhas. Então Pedro disse: “Pode-se, porventura, recusar a água do batismo a esses que, como nós, receberam o Espírito Santo? E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Estes pediram então que Pedro ficasse com eles alguns dias”.

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