ORAR SOBRE O PASSADO - Mensagem Pastoral de Dom Rubens Sevilha, OCD de 23 de agosto de 2020.


Há um modo cristão de olhar o próprio passado e o dos outros também, ou seja, temos certeza da presença amorosa de Deus na nossa história pessoal e na grande história humana. Temos, porém, a tentação de criar alguns parênteses ou vácuos no nosso passado quando ruim e, parece-nos, então, que Deus estava ausente como se Ele “saltasse” aquele período sombrio da nossa vida.

Deus conhece o nosso passado e esteve sempre presente em todos os cantos e franjas da nossa existência. Nada fica fora da presença amorosa de Deus, embora, com frequência, queremos sobrepor o nosso olhar ao olhar d’Ele e julgamos ter vivido coisas que Deus não viu. O nosso olhar quando focaliza somente o mal acontecido, nos traz ressentimento, tristeza e culpa. O olhar amoroso de Deus, que sempre perdoa e acolhe, nos traz conversão, alegria e paz.

Sei que as histórias de vida não são iguais e algumas pessoas, infelizmente, vivenciaram terríveis acontecimentos durante a infância e juventude e não é fácil para elas acreditarem que Deus estava presente e se perguntam por que Ele permitiu que aqueles males acontecessem.

Nossos erros do passado não podem ser modificados, mas devem ser assumidos e redimidos pelo amor misericordioso do coração de Deus. O Papa Francisco nos recorda que “a fé grande é aquela que leva a própria história, marcada também pelas feridas, aos pés do Senhor pedindo a Ele que a cure, que lhe dê um sentido. Cada um de nós tem a própria história e nem sempre é uma história limpa, muitas vezes é uma história difícil, com tantas dores, tantos problemas e tantos pecados. O que eu faço com a minha história? Eu a escondo? Não! Devemos levá-la diante do Senhor: Senhor, se Tu queres, podes curar-me! Devemos ter a coragem de levar a própria história de dor a Deus e, diante de Jesus, tocar a ternura de Deus, a ternura de Jesus. Façamos o teste desta oração: cada um pense na própria história. Sempre tem coisas que são feias em uma história, sempre. Vamos até Jesus, batamos no seu Coração e digamos-lhe: Senhor, se Tu queres, podes curar-me. Nós poderemos fazer isso se tivermos sempre diante de nós a face de Jesus, se nós entendermos como é o coração de Cristo: um coração que tem compaixão, que carrega sobre si as nossas dores, que carrega sobre si os nossos pecados, as nossas derrotas” (Angelus – 16/08/2020).

Não se trata de fazer um exercício de imaginação e colocar Deus no próprio passado, pois Ele sempre esteve lá. Trata-se de reconhecê-lo e enxergá-lo com os olhos da fé, lá onde o Senhor sempre esteve pois Ele é eternamente fiel ao seu amor. Vale aqui recordar que o Senhor estava presente também na vida de todos os nossos irmãos, por mais distantes de Deus que eles se encontrassem. Nós podemos, infelizmente, nos afastar de Deus, mas Deus jamais abandona nenhum dos seus filhos.

Reconhecendo a presença amorosa de Deus no nosso passado, começamos a colocar amor onde faltou amor, a perdoar onde sobrou maldade, a pagar o mal com o bem. Enfim, começamos a amar as pessoas que, no passado, nos feriram e nos fizeram sofrer. O amor ao próximo inclui também as pessoas que, no passado, fizeram parte da nossa vida.

Uma das virtudes cristãs é a coragem, isto é, segurar nas mãos fortes do Pai e enfrentar a luta da vida do jeito que ela veio, vem e virá. Fazer-se de vítima diante das dores do passado é atitude dos covardes. Todos carregamos feridas e cicatrizes ao longo da vida, mas frequentemente nos esquecemos que Jesus, ressuscitado em seu corpo glorioso, também Ele carrega consigo eternamente as feridas, as chagas e as nossas dores no seu coração aberto.

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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