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"ORAÇÃO, JEJUM E ESMOLA" - Mensagem Pastoral de Dom Rubens Sevilha, OCD de 8 de março de 2020.


Na quaresma somos particularmente convidados a exercitar a oração, o jejum e a esmola. A oração diária é o respiro da alma. Orar é colocar-se na presença de Deus que está sempre presente e perto de nós. A oração não aproxima Deus de nós pois Ele já está sempre presente, mas a oração nos aproxima d’Ele, pois nos distraímos e nos preocupamos com muitas coisas e, facilmente, nos distanciamos de Deus. Nós precisamos de Deus, não o contrário. Alguns católicos, quando vão à Igreja, parecem estar fazendo um favor para Deus.

Nós vamos à Igreja, inicialmente, porque necessitamos de Deus. Posteriormente, com a fé mais amadurecida vamos à Igreja por amor e não mais por necessidade. A oração comunitária, na liturgia da Igreja, é completada com a oração íntima e individual no escondido quarto do nosso coração. A verdadeira oração não consiste em muitas palavras ou bonitos e profundos pensamentos, muito menos em intensas emoções espirituais passageiras, mas a verdadeira oração consiste em amar, em estar na intimidade com Deus.

Você se sente íntimo de Deus ou Ele lhe parece um desconhecido ou um juiz severo do qual é melhor procurar certa cautela e distanciamento? Deus é seu Pai, Deus é seu amor.

Faça o propósito quaresmal de, todos os dias, permanecer em silêncio amoroso diante de Deus por dez a quinze minutos. Tome a decisão de todos os domingos, dia do Senhor, ir à Igreja para encontrar-se com a sua família espiritual e, juntos, adorar, louvar, agradecer e pedir ao Pai as graças necessárias para a sua vida, para sua família, para o nosso mundo. Como os pais se alegram ao ver sua família reunida e feliz ao redor da mesa, assim o coração de Deus se alegra ao ver seus filhos e filhas reunidos ao redor da mesa do altar na Casa de Deus. Infelizmente, a preguiça e o comodismo estão deixando muitos cristãos isolados, sem participar da sua Igreja e, consequentemente, padecem de anemia espiritual. Para os anêmicos na fé tudo cansa, tudo pesa e a vida é vista, não como um dom de Deus, mas como um fardo a ser carregado.

O exercício espiritual do jejum é renunciar a tudo aquilo que é nocivo para a nossa vida e eliminar todos os excessos. O jejum deve ser modernizado. Tradicionalmente, ele se referia essencialmente à comida. Hoje, além da comida, temos que acrescentar o jejum da internet, jejum do consumismo, jejum das bebidas e drogas, jejum dos prazeres ilícitos. Todos estes jejuns vão tornar a nossa alma mais leve e esbelta e a nossa vida será mais tranquila e feliz, pois o jejum dos excessos e dos vícios torna a nossa vida mais profunda e forte. Infelizmente, muitos estão com a alma obesa e mal conseguem caminhar na estrada da vida, muito menos têm forças para enfrentar a dura luta da existência.

O exercício da esmola é a prática da gratuidade. Esmola é dar gratuitamente a si mesmo, ou dar algo de si para o bem do outro. A essência da esmola não está na grandeza ou importância do objeto doado, mas na generosidade e gratuidade do gesto de doação. Muitos fazem o bem visando algum interesse próprio. É verdade que Deus é bom pagador, como afirmava Santa Teresa de Ávila, enquanto na terra temos que trabalhar muito para ganhar pouco, Deus é um bom patrão que nos paga muito pelo pouco que fazemos. Até um copo de água dado por amor será recompensado. Exercitemos dar um sorriso gratuito, sem interesses escondidos. O nosso mundo seria muito melhor se houvesse mais gratuidade nos relacionamentos entre nós. Infelizmente, até no relacionamento com Deus muitos não conseguem ser gratuitos e se aproximam d’Ele, não por amor, nem mesmo pela dor, mas para ficar rico. “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Timóteo 6,10).

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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