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O SEGREDO DO REI - Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo - Por Frei Alfredo.

O texto do do Evangelho da liturgia deste último domingo do ano litúrgico nos propõe a contemplação do mistério do Reino de Deus.

A realeza, muito diferente do que possamos imaginar, nos chega através de um Jesus derrotado e desfigurado, torturado, insultado e ridicularizado pelos soldados romanos, que se divertem para aplacar o seu tédio.

A “glória” fica por conta de um letreiro debochado sobre a cruz. A corte desse rei é composta por um único súdito, que é um criminoso, um bandido que também está pendurado na cruz. Compreendemos, então, que a cruz é um instrumento do fracasso humano que a liturgia de hoje apresenta como instrumento da vitória de Deus.

É esse Jesus que, diante de Pilatos, declara: “Eu sou rei”. Que tipo de rei é esse? Sem exércitos e armas, sem poderes, sem delírios de onipotência e megalomanias, sem nada? Um rei que reina no trono infame da Cruz, nu, sem dignidade alguma e coroado de espinhos?

Um rei tão sem prestígio ao ponto de precisar de uma placa de identificação, um crachá para torná-lo reconhecível, pelo menos para as pessoas que o amaram algum dia. Esse é o nosso rei.

Trata-se de alguém que, aos olhos do mundo, não passa de um perdedor, um derrotado. Mas, deve haver uma explicação para essa contradição que, ainda hoje, agita a consciência de muitas pessoas que até querem seguí-Lo, mas que ficam desconcertadas diante da sua proposta real. Afinal, um rei que frustra as aspirações dos seus súditos?

Poderíamos nos perguntar, então, qual é o segredo do rei? A resposta a essa pergunta é encontrada no diálogo entre Jesus e Pilatos, um pouco antes desta cena evangélica em que zombam dele na cruz: “Tu és rei? Tu o dizes”, foi o que ele respondeu a Pilatos.

Assim como Pilatos, somos livres para crer ou não. Afinal, Deus não se impõe, jamais! Contudo, as aparências enganam. As aparências comprovam que não é possível enxergar que esse homem torturado, ridicularizado e desfigurado, apresentado como um ser desprezível não se assemelha, de modo algum, a um rei e, muito menos, a um Deus.

Mas, afinal, não foi sempre assim? Não é sempre assim ainda hoje? O nosso Deus se “esconde”, nos deixa livres, desperta as nossas consciências e depois nos pede para escolhermos!

O poder que Jesus veio exercitar é o serviço à verdade. É mesmo difícil enxergar nele um rei com as lentes com que costumamos vislumbrar e até mesmo invejar os poderes mundanos.

A explicação está no fato de que ele não se auto reverencia, não se autocelebra. Pelo contrário, ele foge das glórias mundanas e das aparências, fazendo-nos concluir que o segredo do rei é o próprio mistério da liberdade, que produz uma modalidade de relação na qual não há servos ou súditos. Só amigos!

Voltando a Pilatos, podemos concluir mesmo que o procurador romano, no fundo, tinha medo que Jesus respondesse à pergunta que lhe fez: “o que é a verdade”?

Será que é por isso que Pilatos pergunta e sai, virando as costas para Jesus, indicando com isso que não deseja a resposta? Será que é por isso que o procurador não esperou a resposta, ainda que Jesus não estivesse disposto a explicar-lhe o óbvio da verdade que estava diante dele e que ele não conseguia ou não queria enxergar?

Ou, talvez, o medo de que a verdade fosse aquela que está diante dele sem demonstrar nenhum triunfo, sem títulos acadêmicos, sem aplausos. Uma verdade que não está à procura de privilégios, que não faz questão de nada disso? Que não precisa de adereços ou acessórios porque, justamente, é a Verdade?

Será que o juiz de Jesus, Pilatos, tem medo de descobrir uma verdade que perde, que não é apresentada como vitoriosa, que é ridicularizada, humilhada, perseguida e, decididamente, uma verdade minoria que, talvez, como alguns pensam ainda hoje, deva desaparecer?

Será que Pilatos tem medo de uma verdade mais importante do que a carreira, do que o dinheiro, do que os relacionamentos baseados nos próprios interesses e conveniências, nos juízos de quem se julga superior, na popularidade, tão em alta ultimamente? Uma verdade escandalosa e terrivelmente pobre, da qual se pode, facilmente, abrir mão?

A verdade é que a verdade é muito difícil de encarar. Ela exige muito! Talvez fosse apenas uma questão de conhecê-la para poder enfrentá-la, isto é, para conseguir lidar com ela, no caso de Pilatos e em tantos outros casos.

Obviamente, a questão não é apenas aceitar a verdade, mas estar envolvido com ela! Estar e existir nela! Fazer com que ela tenha relevância em nossas decisões, escolhas e relações.

Seria esse o motivo pelo qual, ainda hoje, muitos não a aceitem, tampouco a queiram como quem rejeita um prato desconhecido, respondendo a quem oferece: a verdade? Não, obrigado. Talvez, numa outra oportunidade!

Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA.

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