O REINO DE DEUS CRESCE COMO UMA SEMENTE -Dom Frei Caetano Ferrari, O F M




“A que iremos comparar o Reino de Deus?” - Mc 4,26-34.

É a pergunta dirigida por Jesus à multidão, segundo nos conta São Marcos na página evangélica da santa Missa deste domingo. Jesus mesmo responde contando duas parábolas: a da semente que cresce por si mesma e a do grão de mostarda. Na da semente, Jesus explica que é Ele mesmo quem lança a semente, porém uma semente diferente, a da sua Palavra, que é a Palavra de Deus, e à semelhança do agricultor Ele espera que ela cresça até a colheita. A semente brota humilde e pequena, mas as aparências enganam, porque ela crescerá e tornar-se-á numa planta grande com muitos ramos que darão muitos frutos e muita sombra. Por isso, Ele completa a explicação comparando a semente com o grão de mostarda, a mais pequenina das sementes. Depois de semeado, o grão “cresce e torna-se maior que todas as hortaliças, e deita grandes ramos, a tal ponto que as aves do céu se abrigam à sua sombra”. Jesus anunciava a Palavra por meio de muitas parábolas como estas. Como um sábio mestre, Ele entendia que a parábola era um excelente meio, um gênero literário especial para expressar um ensinamento ou ilustrar uma verdade com imagens que facilitassem a compreensão de todos os ouvintes, que o povo logo entendia sem precisão de dar muitas explicações. São Marcos conclui dizendo que “Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo”.

Esforcemo-nos por agradar a Deus em tudo e todo tempo - 2Cor 5,6-10.

Paulo pede aos irmãos de Corinto que depositem a sua confiança no Senhor, esforçando-se para agradar-lhe em tudo e em todo tempo. Esta chamada de Paulo vale também para nós, hoje. Que sejamos terra boa e que colaboremos com a graça de Deus, deixando que a semente cresça e frutifique. Então, ela produzirá frutos bons e o Senhor nos recompensará. Paulo explica que o nosso corpo é uma tenda provisória, “mas no fim desta nossa peregrinação pelo mundo compareceremos perante o tribunal de Cristo para cada um receber a devida recompensa, prêmio ou castigo, do que tiver feito ao longo de sua vida corporal”. Para enfrentarmos vitoriosos esse juízo diante de Cristo, importa que vivamos desde aqui e agora praticando boas obras pelas quais tenhamos uma vida agradável a Deus.

O ramo do cedro que se torna um belo arbusto - Ez 17,22-24.

O profeta Ezequiel se serve dos símbolos do cedro, da sua copa e do seu tronco, para ilustrar a deportação da elite e do rei de Judá para a Babilônia (597 e 586 a.C.). É uma forma literária muito usada na Bíblia. Então Deus mesmo, o único salvador, tomará do mais alto dos ramos um broto e o plantará sobre um monte alto e elevado de Israel. Uma simbologia literária para expressar um oráculo de salvação em favor do povo e dos seus líderes, ou seja, a sua volta do exílio à sua pátria. É a alegoria de um agricultor que planta um pequeno ramo que se tornará um belo arbusto. São pequenas imagens que lembram muitas profecias. No presente caso lembra mais uma vez que a misteriosa obra de Javé terá sucesso, qual seja a de realizar a deposição dos poderosos e a exaltação dos miseráveis. O referido broto que crescerá dará folhagem e frutos e se tornará um cedro majestoso, debaixo do qual os pássaros farão os seus ninhos. Simboliza o retorno à glória de Israel.

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