O Reino de Deus chegou: Convertei-vos - Conversando com o Bispo de 24 de janeiro de 2021.

Jonas prega a conversão de todos, não só dos judeus - Jn 3,1-5.10


O contexto do Livro de Jonas é do pós exílio da Babilônia. Foi escrito mais ou menos quatro séculos antes de Cristo. Tendo presente o projeto da Aliança entre Deus e Israel, o povo libertado defendia um nacionalismo fechado aos interesses da nação e uma salvação exclusiva aos judeus. O Senhor, porém, entra em cena, revelando que seu desejo é universalizar a salvação para todos os povos, não só para os judeus. A fim de alcançar esta meta o Senhor escolheu Jonas como seu profeta e enviou-o a anunciar a mensagem de salvação aos habitantes da cidade pagã de Nínive. Jonas foi pregar a conversão de Nínive, capital da Assíria, uma cidade imensa, que levava três dias para atravessá-la. O profeta pregava a conversão dos pagãos, convidando-os à fé, ao arrependimento dos pecados e à penitência advertindo-os quanto ao risco de uma punição: “Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída”. É uma ameaça que poderá ser evitada, caso os incrédulos tomassem o caminho da fé, abandonassem todo pecado, fizessem como penitência um jejum e se vestissem de sacos. Deus viu que eles se desviaram do seu mau caminho e fizeram penitência. Então, Deus desistiu do seu plano, teve pena do povo e não executou o mal com que os tinha ameaçado.


A maneira de ser deste mundo passa - 1Cor 7,29-31

Era fé corrente entre os primeiros cristãos, incluindo Paulo, que Cristo voltaria em breve. Dessa crença, Paulo, na Palavra de hoje, tirou duas conclusões de base: o tempo que nos resta a viver é breve e todas as coisas deste mundo são passageiras. Então, o Apóstolo põe em evidência algumas atitudes pragmáticas que devem orientar o comportamento cristão. Doravante como cristão, a partir da parusia, o que é o mais importante? Paulo responde dando exemplos. Quanto a casar ou não, ele reafirma a liceidade e a santidade do matrimônio. Mas o estado de virgindade é melhor, a fim de que a pessoa aspire estar livre para bem servir ao Senhor. Quem chora, viva como se não chorasse. Quem está alegre, como se não estivesse alegre. Quem faz negócios, como se não os fizesse. Quem usa do mundo, como se dele não usasse. Atitudes cristãs só serão justas e perfeitas caso se baseiem na realidade de que “A figura deste mundo passa”. Portanto, como diz Paulo, importa decidir o que é essencial na vida e distingui-lo do que é relativo e passageiro, a fim de que, optando pelo essencial, todo cristão esteja em condições de viver sua liberdade e vocação.


Convertei-vos e crede no Evangelho - Mc1,14-20

Foi na Galileia que Jesus desencadeou o trabalho missionário de anunciar o Evangelho. Por onde passava, Jesus evangelizava a toda gente. Iniciava a sua pregação, dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo”. Diante da realidade nova da chegada do Reino, sem dúvida alguma o povo se alegrava, pois significava a chegada da salvação messiânica. Então Jesus fazia o convite a todos, dizendo: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Um convite a uma radical mudança de mentalidade e a uma total adesão ao Evangelho. Caminhando à beira do mar da Galileia, Jesus viu os irmãos pescadores, Simão e André, lançando a rede ao mar. Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens. E eles seguiram a Jesus. Um pouco mais adiante, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu, que estavam consertando as redes. E logo os chamou. E eles, deixando o pai no barco com os empregados, o seguiram”. Para realizar a sua missão na terra, Jesus vai instituindo o seu grupo de trabalho, os apóstolos. É ele quem escolhe e convida quem os quer. A estes pescadores, Jesus os convidou a serem pescadores de gente.


Artigo escrito por Dom Frei Caetano Ferrari, OFM - Bispo Emérito da Diocese de Bauru.