NADA TE ESPANTE, TUDO PASSA! - Conversando com o Bispo - 13 de setembro de 2020.


Escândalos sempre aconteceram ao longo da história e, infelizmente, continuarão a existir até o final do mundo. Até lá devemos aprender a conviver e a lidar, de uma maneira cristã, com os erros nossos e dos outros, grandes ou pequenos, ocultos ou divulgados.

Jesus nos ensinou que não devemos julgar ou condenar ninguém, pois que atire a primeira pedra quem não tiver pecado. Ensinou que devemos primeiro tirar a trave do nosso próprio olho e depois tirar o cisco do olho dos outros. Ensinou que devemos perdoar os erros dos irmãos, até setenta vezes sete, e sempre pagar o mal com o bem. Se alguém nos der um tapa, que devemos oferecer a outra face. Ensinou que devemos pedir perdão pelos nossos erros, pois, com certeza, Deus sempre nos perdoa assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.

Quando for realmente necessário oferecer a ajuda da correção fraterna ao irmão que errou, devemos fazê-lo com amor, discrição e verdade. Jesus nos ensina (cf. Mt 18,15) que devemos falar a sós com ele, isto é, nunca espalhar o erro dos outros. Caso seja necessário, podemos pedir ajuda às pessoas próximas e queridas do irmão errado para ajudá-lo a sair do erro.

Nem sempre sabemos lidar, com sabedoria e amor, com os erros que nos cercam. Quando Judas Iscariotes, apóstolo de Jesus, aproximou-se para traí-lo com um beijo, recebeu do mestre a doce palavra: amigo, o que você está fazendo?

A melhor maneira de diminuir o mal é fazer o bem. Muitos contentam-se em combater o mal com mil palavras e explicações, outros expressando fortes emoções de indignação e até ira contra os erros dos outros, mas todos eles enganam-se a si mesmos anestesiando a própria consciência ao falar muito, ao sentir muito e ao fazer pouco ou nada. A única maneira de espantar a escuridão é acender uma luz.

Um dos maiores místicos do cristianismo, São João da Cruz, escreveu que “por muito santo que seja, nunca tomes o homem por modelo no que tiveres a fazer, porque o demônio acabará por te mostrar as suas imperfeições. Imita antes a Cristo, sumamente perfeito e santo, e nunca te enganarás”. E ainda, “não te escandalizes nem jamais te admires de coisas que vejas ou percebas, procurando guardar tua alma no esquecimento de tudo isso. Porque se quiseres reparar em alguma coisa, mesmo que vivas entre anjos, muitas coisas não te parecerão bem por não compreenderes a substância delas. Sirva-te de exemplo a mulher de Ló que, por se ter perturbado com a perdição dos sodomitas e voltado a cabeça para observar o que se passava, a castigou o Senhor transformando-a em estátua de sal. É para que entendas que, ainda no caso de viveres entre demônios, Deus quer que vivas de tal modo no meio deles que não desvies a cabeça do pensamento às suas coisas, mas as deixe totalmente, procurando conservar a alma pura e inteira em Deus, sem que qualquer pensamento a respeito disso ou daquilo, te possa estorvar. (Pontos de Amor, 86).

Nós os cristãos devemos ter os olhos fixos no Senhor (Hb 12,2), pois quando desviamos o olhar dos desejos da alma para tudo aquilo que está abaixo de Deus, nos apequenamos. Todo homem só se torna grande e plenamente humano quando deixa-se moldar por Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus e então poderá dizer: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20).

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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