Jesus age com autoridade - Conversando com o Bispo de 31 de janeiro de 2021.

O profeta é um porta-voz de Deus - Dt 18,15-20

A Palavra de hoje, tirada do Deuteronômio, fala do profetismo, uma instituição destacada na revelação de Deus no Sinai. O profeta é uma figura carismática, um mediador entre Deus e o povo, um porta-voz de Deus, alguém a quem Deus coloca suas palavras na boca para que as transmita e comunique tudo e somente aquilo que ele mandar. Deus faz surgir o “profeta” dentre o povo de Israel. O profeta que Deus suscita na assembleia dos israelitas age sempre de acordo com a vontade de Deus. Desta forma ele cumpre a sua missão com a autoridade de um grande profeta, como o foi o próprio Moisés, o porta-voz do Senhor no Sinai. A afirmação que se refere a “um profeta como eu” aponta para o Messias-profeta, ou seja, alude ao Filho do Homem e de Deus, a Jesus. Por isso deverá ser ouvido e acatado por todos. Os judeus esperam o Messias como um novo Moisés. “Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome. Mas o profeta que tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que não lhe mandei ou se falar em nome de outros deuses, esse profeta deverá morrer”.


O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor - 1Cor 7, 32-35

No trecho da Carta aos Coríntios lido no domingo passado, Paulo destaca dois pensamentos de base: O tempo é breve e a figura deste mundo passa. A respeito do comportamento cristão em decorrência importa desprezar o relativo e passageiro e optar pelo que é essencial e duradouro para que todo cristão esteja em condições de preservar a sua liberdade e seguir a sua vocação. Quanto a casar ou não, ele reafirma a liceidade e a santidade do matrimônio. Na sequência de hoje, porém, Paulo aprofunda essa doutrina, afirmando que o estado de virgindade é melhor. Ele explica aos coríntios dizendo que gostaria que estivessem livres de preocupações. O homem não casado procura agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas deste mundo e em agradar a sua mulher. E, assim, está dividido. Também a mulher não casada e a jovem solteira são zelosas com as coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito. Digo isso para o vosso próprio bem, reafirma o Apóstolo. Pois, o que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, e o melhor é o que vos leva a permanecer junto ao Senhor, sem outras preocupações.


Um ensinamento novo dado com autoridade - Mc 1,21-28

Neste trecho do Evangelho da Liturgia de hoje Marcos narra que Jesus e seus discípulos passaram por Cafarnaum e, logo no sábado, foram à sinagoga. E ali Jesus ensinava. Todos os presentes ficavam admirados com o ensinamento de Jesus, pois ensinava como quem tem autoridade, e ensinava uma doutrina nova, diferente se comparada com a dos mestres da lei. Estava na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritava, dizendo: Que queres de nós, Jesus Nazareno, vieste para nos destruir? Eu sei que tu és o Santo de Deus. Jesus, porém, o conjurou severamente: “Cala-te e sai dele”. O espírito impuro, sacudindo o homem com violência e soltando um grande grito, saiu dele. O milagre teve uma função de sinal, que confirmou a autoridade de Jesus. Todos ficaram assombrados mais pela “nova doutrina ensinada com autoridade” do que pelo poder de Jesus sobre os espíritos maus. Eles se perguntavam uns aos outros: O que é isto? Um ensinamento novo, dado com autoridade: ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem! E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a redondeza da Galileia.


Artigo escrito por Dom Frei Caetano Ferrari, OFM - Bispo Emérito de Bauru.