FELIZ NATAL! - Conversando com o Bispo de 20 de dezembro de 2020.

O Natal é uma festa espiritual, pois nele celebramos o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o “sol nascente que do alto nos veio visitar” (Lc 1,78). A pandemia vai nos ajudar a celebrar um Natal menos materialista, onde o excesso de comida e bebida dará lugar à sobriedade e as viagens e aglomerações serão diminuídas dando lugar à maior intimidade.

O aniversariante e dono da festa é Jesus Cristo. Creio que muitas comemorações, ditas de Natal, são quase ofensivas ao aniversariante e, algumas delas, terminam no hospital ou na delegacia. É preciso resgatar o “espírito do Natal” e esse espírito tem nome: Nosso Senhor Jesus Cristo.

A alegria do Natal está em reconhecer que o nascimento de Jesus, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), traz esperança e vida nova para toda a humanidade. Não estamos sozinhos e abandonados como um grão de areia no imenso universo, mas, somos amados por Deus, nosso Pai, que enviou seu Filho para pisar o nosso chão, viver a nossa vida e nos mostrar o caminho, a verdade e a vida; enfim, Ele veio nos salvar.

O amor de Jesus, por Ele vivido e ensinado, é a luz que ilumina o nosso mundo expulsando dele as trevas da maldade. Quanto mais a luz do amor de Deus for encontrando espaço nos nossos corações, mais o mundo irá se tornando harmonioso sob a luz do amor, da justiça e da paz.

No Natal queremos acolher Jesus que não receou assumir a nossa pequenez e escuridão, habitando na escuridão do presépio, ao nascer como criança pequena e frágil. Os escritores do início do cristianismo chamaram o nascimento de Jesus de maravilhoso divino comércio, onde há um escambo entre Deus e a humanidade. Jesus assume a nossa humanidade, dá a sua vida pela nossa salvação e o homem é salvo pelo seu sangue derramado. “Ele amou até o fim” (Jo 13,1).

Jesus assumiu a nossa humanidade para sempre e prometeu estar conosco até o final dos tempos (Mt 28,20). Ele está no meio de nós, através do seu Espírito Santo, que continua realizando a obra iniciada por Jesus, isto é, a construção do Reino de Deus, que conta com a nossa colaboração.

O Natal é tempo de aproximação de Deus. Ele vem ao nosso encontro e nos convida a nos aproximarmos mais d’Ele. Ao nos afastarmos de Deus, perdemos o rumo do caminho e, cansados, não chegaremos a lugar algum. Quando decidimos aceitar o convite de Deus e nos esforçamos para caminhar com Jesus, encontramos o verdadeiro sentido da nossa existência pessoal e o sentido da grande história em geral.

O Natal nos alegra, pois, a vinda de Jesus nos tirou da solidão. Ninguém jamais estará sozinho ou abandonado, pois a presença de Jesus em nosso mundo e na nossa vida é uma presença real e para sempre. A distração orgulhosa, eivada de consumismo e hedonismo, não deixa o nosso coração enxergar a amorosa e misteriosa presença de Deus em nós e entre nós.

A pandemia vai nos forçar a celebrar o Natal de maneira mais despojada, mais simples, mais interiorizada e, portanto, mais espiritual. Teremos um Natal mais sóbrio e com mais reflexão, mais oração, maior união entre nós e, enfim, mais luz de Deus brilhando nos corações, nas famílias e nas ruas do nosso mundo. Feliz Natal!


Dom Rubens Sevilha, OCD.