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EIS QUE FAÇO NOVAS TODAS AS COISAS - Por Dom Rubens Sevilha


A Palavra de Deus diz que “é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (Atos 14,22). Curiosamente, o texto afirma que São Paulo e São Barnabé, com as palavras acima, estavam “encorajando os discípulos” (v.22) a permanecerem firmes na fé. Hoje em dia, dizer para alguém que é preciso passar por muitos sofrimentos, soará como uma irônica ofensa.

O sofrimento por uma causa boa e justa causa libertação e paz. Quando, pelo contrário, tem sua origem e execução motivadas pelo que é mau e injusto, causa escravidão e infelicidade. Percebemos aqui que o nosso problema não é o sofrimento em si mesmo, mas a sua origem e sua motivação.

Creio que metade do sofrimento humano seja inútil e sem sentido, por ser provocado por nós mesmos quando damos demasiada importância ao que é secundário e ilusório, causando assim enorme desgaste de energia, desperdiçando as forças que deveriam servir para nos impulsionar e fortalecer na luta da vida. O homem moderno se esqueceu que a coragem é uma virtude. Não se deveria usar a palavra “coragem” quando se realiza o mal, pois ela se aplica somente para o bem. Para a execução do mal teremos outras palavras tais como: imprudência, desequilíbrio, irresponsabilidade.

São Paulo afirma que esses muitos sofrimentos nos fazem entrar no Reino de Deus. O livro do Apocalipse nos fala sobre o novo céu e a nova terra (Apocalipse 21,1), onde Deus enxugará toda lágrima dos nossos olhos, a morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes (v.4). Maravilhosa mensagem divina nos ensinando que, também através dos inevitáveis sofrimentos da condição humana, Deus vai transformando tudo em alegria e paz.

O segredo da existência humana está exatamente aqui: onde está Deus, tudo se transforma em felicidade e paz. “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus veio morar no meio deles. Eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles” (v.3).

Somente pela fé é possível ser feliz estando ao mesmo tempo no meio de muitos sofrimentos. Somente na fé, como também no amor, felicidade e sofrimento não se excluem. A carne sofre, as emoções padecem, mas o profundo da alma está em paz, segurando firmemente nas mãos do Pai que ama com amor eterno cada um de nós, seus filhos e filhas.

A pessoa livre, isto é, aquela que tem fé profunda, torna-se canal do amor de Deus. Quem está aberto para Deus, necessariamente, será uma pessoa que “espontaneamente” ama com amor verdadeiro todas as pessoas ao seu lado. Aliás, a capacidade, qualidade e quantidade de amor em uma pessoa é o verdadeiro e o único termômetro da sua fé. Afirmou Jesus: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,25).

O amor cristão não é um amor qualquer. Hoje a palavra amor está encharcada de muitos sentidos e significados. É preciso enxugar e ajustar a palavra amor. O amor cristão é amar como Jesus amou. No Antigo Testamento temos o mandamento de amar o próximo como a si mesmo. No Novo Testamento a exigência torna-se ainda maior, pois não se trata de, somente, amar o outro como amamos a nós mesmos, mas amar como o próprio Jesus amou. “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar uns aos outros” (Jo 13,34).


Dom Frei Rubens Sevilha, OCD

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