CRIANÇA DESMAMADA - Mensagem de Dom Rubens Sevilha, OCD de 16 de agosto de 2020.


Certa vez, no calorão do mês de janeiro, enquanto conversava com meus irmãos em uma grande varanda, observei meu sobrinho de pouco mais de dois anos de idade caminhando várias vezes ao redor da casa. Meu irmão explicou: ele não sabe, mas está procurando a mãe dele.


Passamos a existência caminhando pelas ruas da vida procurando algo que não sabemos exatamente o que é. Queremos a plenitude e a segurança que perdemos quando saímos do ventre materno ou quando fomos expulsos do Jardim do Éden. Passamos a vida procurando algo que nos preencha completamente e desejando algo nos torne grandes e plenos.


Indo direto ao ponto: neste mundo o homem jamais encontrará a plenitude, pois ele foi criado à imagem e semelhança de Deus e, portanto, só encontrará plenitude na união com Deus na eternidade após a sua morte. O homem tem desejo do infinito e do eterno e, portanto, somente quando se encontrar com o Eterno Deus, ele será saciado.

Uma das grandes tentações humanas é querer substituir Deus e preencher-se e saciar-se com ídolos. As ilusões deste mundo (dinheiro, prazer e poder) são como lanches da alma que dão a falsa sensação de saciedade num primeiro momento e, pouco tempo depois, a alma estará ainda mais faminta e enfraquecida. Terminará doente.

Sem Deus, que é o verdadeiro alimento do espírito, o homem enfraquece e adoece. O nosso mundo, que quer excluir Deus, cria uma sociedade formada por um aglomerado de homens enfraquecidos e doentes. Deus é a saúde (salus = salvação) da alma. Deus é a vida do mundo e, sem Deus, a humanidade perde a sua alma e torna-se uma morta-viva perambulando pela existência esperando a morte chegar. Como dizia jocosamente um padre amigo: tem gente que morreu aos cinquenta anos e será enterrada aos oitenta.

Alguém poderia perguntar: não é possível, então, ser feliz nesta vida e devemos delegar a felicidade somente para a vida após a morte? A resposta é: sim e não. Há dois graus de felicidade: uma felicidade possível, nesta vida, e a outra plena, somente na vida eterna. Tudo nesta vida é efêmero e limitado, inclusive a felicidade. Fugir disso é aumentar ainda mais o sofrimento e a frustação. Na vida temos que caminhar com o sapato número 39 embora o pé da nossa alma seja 41.

Deus está presente no céu, na terra e em toda a parte. Deus está no meio de nós e dentro de nós e, portanto, podemos encontrá-lo e, da qualidade e quantidade desse encontro, decorrerá a qualidade e quantidade da nossa felicidade. Onde está Deus, a felicidade aí está. A busca da felicidade é sinônimo da busca de Deus e vice versa. Como estaremos sempre buscando e nunca encontrando a Deus plenamente, também a nossa felicidade somente encontrará sua plenitude na união com Deus, na eternidade.


A fé implica sermos humildes e pacientes diante da nossa pequenez e finitude, buscando a Deus e contentando-se com as migalhas que caem da mesa e, enquanto esperamos a plenitude eterna, devemos caminhar fazendo o que Jesus nos ordenou: amai-vos uns aos outros. Nosso amor é pequeno e limitado, nossa fé é pequena e limitada, mas o amor misericordioso de Deus nos acolhe no seu coração e podemos dizer: “Senhor, meu coração não é arrogante, nem soberbo é o meu olhar. Não ando atrás de grandezas, nem de coisas que estão além de minhas capacidades. Pelo contrário! Moderei e fiz calar meus desejos. Como a criança desmamada no colo de sua mãe, como criança desmamada, assim está minha alma” (Salmo 131). Amém.

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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