ATEIA, JUDIA E SANTA - Mensagem de Dom Rubens Sevilha, OCD de 9 de agosto de 2020.

Santa Edith Stein morreu incinerada nos fornos do campo de concentração nazista de Auschwitz por volta do dia 9 de agosto de 1942. Uma das suas célebres frases é: “Não sei para onde minha vida está indo, mas sei que Deus a está conduzindo”. Edith era de família judia alemã e, na adolescência, decidiu ser ateia. Dedicou-se aos estudos e teve brilhante carreira acadêmica devido à sua brilhante inteligência unida à disciplina pessoal.

Destacou-se, sobretudo, na área da filosofia e foi assistente do filósofo criador da Fenomenologia, Edmund Husserl, em Freiburg. Edith deu aulas e palestras em vários países da Europa. Na maturidade, a misteriosa graça de Deus começou a agir naquela alma tão nobre e rica, apesar de ateia. Ela escreverá mais tarde que, durante o seu ateísmo, a sua busca da verdade era uma forma de oração.

Entre seus poucos amigos mais próximos estava um casal de protestantes, que também eram professores. Deus usou o testemunho de fé daquele casal para tocar a alma da ateia Edith que decidiu, então, procurar mais profundamente a verdade. Certa noite, durante as férias passadas na casa do casal amigo, pegou aleatoriamente um livro da estante e começou a lê-lo por curiosidade, perdeu o sono e não conseguiu parar de ler e, de madrugada, ao concluir as 360 páginas, fechou o livro e exclamou: “Aqui está a verdade!”. O livro era a autobiografia da grande mística fundadora das Carmelitas Descalças, Santa Teresa de Ávila, intitulado “Livro da Vida”.

Edith Stein abriu-se à graça através do estudo pessoal da Sagrada Escritura, do catecismo, da oração e contou com a ajuda de um diretor espiritual monge beneditino. Com 30 anos de idade, ela apresentou-se sozinha na sacristia após participar de uma missa e, de supetão, disse ao padre: Desejo ser batizada. O padre respondeu friamente que não se batizava assim de qualquer jeito, que seria necessária uma adequada preparação etc. Edith simplesmente propôs: “O senhor me interrogue”. O padre fez algumas perguntas e ficou boquiaberto diante da convicção daquela moça que sabia tudo de religião.

Edith ficava horas em silêncio diante do sacrário. Desejava ser religiosa, mas obedeceu ao diretor espiritual e dedicou-se ao magistério refletindo particularmente sobre o lugar da mulher na sociedade.

Com a ascensão do nazismo, todas as pessoas de origem judaica ficaram impedidas de exercer alguma profissão pública na Alemanha. Edith Stein decidiu então consagrar-se a Deus na vida religiosa e foi aceita no mosteiro das Carmelitas Descalças de Colônia. Edith tinha 40 anos e, como era costume na época, recebeu o nome de Irmã Teresa Benedita da Cruz. O início da vida monástica não foi fácil para aquela intelectual madura que, agora noviça, deveria dedicar-se humildemente a limpar os corredores do claustro, cozinhar e fazer os demais afazeres domésticos tão estranhos para ela. As monjas, exceto a Madre Priora, não sabiam que aquela noviça adulta fora uma intelectual brilhante.

Alguns anos mais tarde os superiores vão permitir e incentivar que Irmã Teresa Benedita volte a escrever e a colocar os seus dons intelectuais, agora unidos aos dons espirituais, a serviço da evangelização. Por represália aos bispos e pastores protestantes que escreveram um manifesto contra o nazismo, muitos religiosos de origem judaica foram sumariamente colocados em um trem e levados para os campos de concentração. Edith Stein ao ser levada pelos soldados nazistas, do Mosteiro Carmelita para o trem que a conduziria ao martírio, disse suas últimas palavras conhecidas: “Vamos, vou morrer pelo meu povo...”

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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