AS TRÊS TENTAÇÕES - Mensagem Pastoral de Dom Rubens Sevilha, OCD de 14 de junho de 2020.


Da janela do Palácio Apostólico, o Papa Francisco falou durante a oração do Angelus que nós não sairemos dessa crise do mesmo jeito que entramos. Poderemos sair melhores ou piores, disse ele. De fato, como afirma o Papa, o mundo não será o mesmo. Nada voltará a ser exatamente igual como era antes da pandemia. Alguns aspectos da realidade sofrerão maiores alterações, outras menos e algumas coisas continuarão exatamente como sempre foram.

Você sairá melhor ou pior? O Papa Francisco apontou três tentações frequentes nesse momento de pós-crise. A primeira tentação é a do narcisismo. O narcisista é aquele que está hipnotizado diante de si mesmo, contemplando a si mesmo e acreditando que o mundo gira ao seu redor e, obviamente, deve curvar-se e servi-lo com prontidão e alegria, pois, afinal, ele é uma pessoa maravilhosa, única, especial, acima de todas as outras, com qualidades e sem defeitos e que, portanto, deve ser valorizada e respeitada, quase venerada.

A segunda tentação é a do vitimismo. Aquele que optou por fazer-se de coitado e de vítima da vida, é um egoísta preguiçoso que divide o mundo em dois grandes grupos: os fortes e os fracos. Claro que ele se coloca no grupo dos fracos e que, portanto, lhe dá o direito de cobrar ajuda e apoio de todos com quem convive, desobriga-se de ajudar os demais e desonera-se do dever de auxiliar na construção do mundo ao seu redor. O que se faz de vítima se esquece que ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar ao outro. Todos podemos e devemos partilhar da nossa pobreza e fragilidade. Ninguém está dispensado da luta da vida.

A terceira tentação é a do pessimismo. O pessimista é também um preguiçoso, pois ele justifica o seu não fazer nada, afirmando que não vale a pena pois tudo está perdido, sem solução e o melhor, portanto, é ficar de braços cruzados vendo o mundo cair cada vez mais para o fundo do poço, do qual não há saída.

Em todas essas três tentações, o egoísmo paralisante é o ponto comum. Todos os três estão presos e voltados para si mesmos e, portanto, não conseguem enxergar o mundo real ao seu redor e nada fazem para ajudar, pelo contrário, geralmente são hipercríticos e resmungões espalhando desânimo ao seu redor.

O remédio para a cura dessas tentações é a virtude teologal da esperança. As virtudes teologais são três: fé, esperança e o amor. Não sei o porquê mas a virtude da esperança vem sendo, já há algum tempo, tão desprezada. Hoje fala-se muito sobre a fé e constantemente pedimos, com razão, que o Senhor aumente a nossa fé. O amor é também, pelo menos em teoria, e com razão, muito exaltado e cantado. A esperança é a pobre irmã desprezada.

Talvez aqui esteja uma das fragilidades do nosso tempo, a falta de esperança. Obviamente, a esperança sendo uma virtude teologal, como o mesmo nome o diz, ela nasce e se apoia em Deus, não em nós mesmos. “A nossa esperança está no Senhor, Ele é nosso auxílio e proteção” (Salmo 33,20). Apoiados n’Ele partimos para a luta corajosamente sem desanimar e, mesmo nos momentos mais difíceis, mesmo no fundo do poço, nós dizemos: “somos atribulados em toda parte, mas não esmagados; estamos em tremenda dificuldade, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo a agonia de Jesus, para que em nosso corpo também se manifeste a vida de Jesus” (2 Cor 4, 8-10).


Dom Rubens Sevilha, OCD

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