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APRENDER A SOFRER - Mensagem Pastoral de Dom Rubens Sevilha, OCD de 24 de maio de 2020.


Talvez uma das características do homem moderno seja a covardia. Não sabemos sofrer e sofrer se aprende. Na travessia da vida é preciso aprender a intragável, mas necessária, lição de saber sofrer, ou seja, aprender a enfrentar os inevitáveis sofrimentos próprios da condição humana.

As novas gerações são cada vez mais analfabetas existenciais. Temos uma sociedade infantil que gosta de sonho e diversão. Ninguém quer enxergar e enfrentar a dura realidade da vida, que sempre bate à nossa porta e, quando ela chega, encontra-nos despreparados para encará-la.

Daqui decorre o desespero e afundamento de muitas vidas. Muitos enveredam pelo descaminho da droga e bebida, outros nas doenças da “alma”: depressão, pânico, ansiedade, surto psicótico ou, no extremo, suicídio. Cabe aqui a pergunta:

- Se o sofrimento é algo “natural” e inevitável da condição humana, como é possível despreparar-se para enfrentá-lo, fazendo de conta que ele, o sofrimento, não existe ou isto não vai acontecer comigo, mas somente com os outros?

As novas gerações estão despreparadas para sofrer. Ou aprenderão a assumir as dores da vida ou sucumbirão. A infantilidade do mundo atual o torna perito na arte do faz de conta e paga alto preço por isso. Faz de conta que é feliz, pois imagina a vida como um mar de rosas; faz de conta que nunca irá sofrer, pois imagina que é super poderoso e tão esperto que nada o atingirá e que conseguirá tudo o que quer. O mantra dessas almas infantis é: “Querer é poder!”. Mentira. Só Deus pode dizer esta frase, pois somente Ele tudo pode, enquanto nós, frágeis e limitadas criaturas, podemos muito pouco e, mesmo assim, somente conseguimos algo com a ajuda (a Graça!) de um braço forte ao nosso lado: Deus Pai Todo Amoroso e Poderoso e das palavras confortadoras de Jesus: “Sem mim nada podeis fazer.” (João 15,5)

O cristão não pode ser um covarde diante do “vale de lágrimas”, mas ele sabe que a sua coragem não nasce de si mesmo e é fruto da confiança (fé!) no amor fiel de Deus que jamais abandona nenhum dos seus filhos e filhas. O cristão adulto na fé pode sofrer qualquer abalo: desemprego, falência financeira, abandono afetivo, traição, doença física ou psíquica, enfim, aconteça o que acontecer, ele dirá no meio do turbilhão das suas dolorosas emoções: “Eu confio no Senhor, pois Ele é fiel ao seu amor. Eu sei em quem acreditei e sei que Ele jamais me abandonará, será sempre meu protetor, meu auxílio, meu refúgio, aquele que me liberta e me fortalece. Com Ele sempre sairei vencedor e nada poderá me derrotar, posso até perder tudo, mas se eu tenho o meu Deus, eu já tenho tudo. Só Deus basta!”. O homem sofredor do Antigo Testamento, ao perder tudo o que tinha, exclamou em sua angústia: “Nu eu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. Deus deu, Deus tirou, bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1,21).

A pandemia está revelando o tamanho da infantilidade espiritual ou pobreza de alma da nossa civilização. O sofrimento, quando enfrentado com a sabedoria da fé, nos amadurece, mas quando é vivido com a arrogante pobreza de espírito, nos derruba. Que fique claro: há grande diferença entre saber sofrer e desejar sofrer. Quem quiser aprender a enfrentar o sofrimento, venha para a Igreja. Desejar sofrer é doentio.

Enfim, o que importa mesmo são as palavras de Jesus: “Coragem, tenham ânimo, eu venci o mundo” (João 16,33).

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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