ALEGRAI-VOS - por Dom Frei Rubens Sevilha, OCD


A liturgia denomina o dia de hoje como o Domingo da Alegria. O motivo principal dessa alegria é a expectativa da vinda do nosso Salvador, cujo nascimento celebraremos no dia 25 de dezembro. A chegada do Filho de Deus que se fez homem e habitou entre nós ilumina toda a humanidade com a luz do amor de Deus. Os pastores ficaram extasiados, os anjos cantavam e o mundo se encheu de alegria.

O texto oficial (Introito) do Canto de Entrada da Missa de hoje diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4,4). Portanto, a causa da alegria é a proximidade de Deus e, pelo contrário, o distanciamento de Deus é a origem da tristeza. Aqui está a causa da crescente melancolia e tristeza da nossa cultura atual que insiste em afastar-se do Pai. Sem Deus é impossível haver alegria verdadeira.

O homem procura preencher a carência de alegria entupindo-se de euforia. Procura euforia nas drogas lícitas e ilícitas, euforia no consumismo, euforia nos prazeres mundanos. Paradoxalmente, a euforia aprofunda ainda mais a tristeza na alma, ao invés de libertá-la.

Somente a proximidade de Deus é capaz de libertar o homem da tristeza profunda. Sem o Pai, nós caímos no desamparo e na solidão desesperadora. O Natal é tempo de espontânea alegria, justamente porque nos mostra a proximidade de Deus que vem ao nosso encontro, tornando-se um de nós, assumindo a condição humana, vivendo a nossa vida e habitando para sempre entre nós.

Por isso, Ele é também chamado de Salvador. Jesus “salva-nos da solidão, salva-nos de um vazio que permanece na vida sem a eternidade, salva-nos conferindo-nos o amor na sua plenitude. Ele é o guia. Cristo salva-nos dando-nos a luz, concedendo-nos a verdade, dando-nos o amor de Deus” (PP. Bento XVI – 15/4/2010).

Depende de nós a decisão de nos aproximarmos ou não de Deus. Ele está sempre perto de nós, aliás Ele está dentro de nós. Deus habita o centro mais profundo da nossa alma. Santo Agostinho observou que Deus é mais íntimo do que o nosso íntimo, ou seja, Ele nos conhece e habita regiões do nosso ser que nós mesmos desconhecemos. De fato, ninguém conhece a si mesmo completamente. Deus nos conhece e sabe de que barro nós fomos feitos e, no íntimo desse barro, Ele soprou o seu sopro de vida.

Portanto, nenhum ser humano está completamente sozinho, pelo contrário, estará sempre habitado pela misteriosa, amorosa e inexplicável presença de Deus. Acontece que Deus está presente e nós ausentes, porque ficamos distraídos pelos inúmeros desejos e ilusões criados e alimentados pelo nosso orgulho e egoísmo.

O bonito tempo do Natal de Jesus nos fala sobre a simples e humilde proximidade amorosa de Deus que vem ao encontro da nossa pobreza humana na forma, absolutamente original e desconcertante, de uma frágil criança no presépio que, com seus braços abertos, nos convida a estarmos próximos d’Ele e corrermos para o abraço.

O Natal de Jesus celebra a procura de Deus pela humanidade que, por absurdas razões, foge de Deus. Em cada Natal o próprio Deus vivo nos oferece a possibilidade da alegria verdadeira: “Estou falando essas coisas a vocês para que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15,11).

Dom Frei Rubens Sevilha, OCD.



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