A UNÇÃO DE DEUS - Conversando com o Bispo de 13 de dezembro de 2020.


Profetizando sobre o Messias, escreveu Isaías: “O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor.

Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas joias. Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações” (Is 61, 1-11).

A unção com o óleo simboliza a graça de Deus que constitui e fortalece os enviados de Deus em alguma importante missão. No tempo bíblico, o rei era ungido com óleo para governar, o sacerdote era ungido com óleo para santificar e o profeta também era ungido para realizar a sua missão profética.

Até hoje, a Igreja uso o óleo em alguns dos seus sacramentos. Quando um eleito é ordenado sacerdote, as palmas das suas mãos são ungidas de óleo pelo bispo. As mãos do padre tornam-se instrumentos de Deus. Quando um padre é ordenado bispo, o mesmo santo óleo é derramado na cabeça do eleito, para que a graça de Deus preencha sua mente e seu coração. Quando um cristão adulto decide assumir e confirmar a fé recebida no batismo, o mesmo óleo marca a testa do crismando e ele torna-se um adulto na fé, torna-se um discípulo missionário, um soldado de Cristo.

Isaías disse que foi ungido para curar as feridas da alma. Hoje, estamos com muitas feridas da alma expostas e mal curadas. Cada cristão deve ser um cuidador do outro, além de carregar e cuidar das próprias dores. São Paulo escreveu que devemos carregar os fardos uns dos outros (Gal 6,2). Alguns fardos são mais pesados, outros mais leves, mas, todos estamos obrigados, independentemente do peso, a ajudar todas as pessoas que cruzarem o nosso caminho a carregar o seu fardo. Consola-nos as palavras de Jesus: “Venham a mim, todos vocês que andam cansados e curvados pelo peso do fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Pois minha carga é suave e meu fardo é leve” (Mt 11,28).

O profeta fala que foi ungido para pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos. São inúmeros os modos e situações que são as prisões humanas, ou seja, tudo aquilo que nos priva da verdadeira liberdade e que diminui a amplitude e dignidade da nossa vida. Muitas coisas querem apequenar e sufocar a nossa existência e, cabe ao cristão, exercitar-se, preparar-se e munir-se das armas espirituais para combater o bom combate, resistir às tentações e derrotar, na força de Deus, os três inimigos a alma: o mundo, a carne e o demônio.

O mundo é o ar da cultura ateia, materialista e hedonista que somos obrigados a respirar constantemente. A carne é o nosso ego orgulhoso e rebelde que, com seus instintos, cegam e enlouquecem a mente e o coração. O demônio articula com refinada astúcia, pois ele é a mentira personificada, as fraquezas humanas para, assim, atingir e destruir os filhos de Deus, visto que ele não pode nada diretamente contra Deus. A luta para nós não é fácil, mas, Deus é um forte guerreiro que luta ao nosso lado (Salmo 144). Afinal, quem será como Deus e, se “Ele é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31).



Dom Rubens Sevilha, OCD.