A TRINDADE SANTA EM NOSSA VIDA -Dom Frei Caetano Ferrari, O F M


Celebramos hoje a solenidade da Santíssima Trindade: Pai e Filho e Espírito Santo. A vida da Igreja está tomada pelo mistério da Santíssima Trindade. Quanto ao mistério da Santíssima Trindade, não devemos pensar em algo incompreensível, mas numa realidade bem profunda que toca o centro do nosso ser e agir, do nosso viver e conviver. Desde a nossa catequese aprendemos que a Santíssima Trindade está presente na história da salvação e que Deus age na história do mundo, da humanidade e de cada um de nós como Pai e Filho e Espírito Santo. Como cristãos, nossa fé é esta: não cremos em três deuses, mas em um só Deus, embora em três Pessoas distintas. Pelo Catecismo da Igreja sabemos que a Trindade de Deus é um mistério só compreensível através de Jesus Cristo que o revelou. “Ele, o Filho, fala de seu Pai que está no Céu [‘Eu e o Pai somos um’ (Jo 10,30)]. Ele ora ao Pai e concede-nos o Espírito Santo, que é o amor do Pai e do Filho. Por isso, somos batizados ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’ (Mt 28,19)” (Youcat, n.35). Esta nossa fé se enraíza nesta outra verdade sobre Deus: “Deus é Amor”. No passado, Santo Agostinho escreveu: “Onde existe o amor existe a Trindade: um que ama, um que é amado e uma fonte de amor” (cf. Youcat, n.36). Recentemente o Papa Bento disse: “Deus não é solidão, mas perfeita comunhão”. A teologia ensina: “Ao Pai atribui-se a criação do mundo e do homem. Ao Filho, a restauração ou salvação. E ao Espírito Santo a santificação ou a plenitude ou plenificação da vida”. Traçando o sinal da cruz iniciamos e terminamos toda celebração pública e toda oração pessoal, invocando o nome da Santíssima Trindade. Bem como aprendemos que em todos os momentos importantes da vida devemos iniciar em nome de Deus uno e Trino.

Fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo - Mt 28,16-20.

Com esta fórmula trinitária toda pessoa é batizada, entra na comunhão total do Cristo com o Pai e o Espírito Santo, e integra-se à comunidade eclesial. Mateus conta que Jesus, aparecendo na Galileia, veio se despedir de seus discípulos, ao mesmo tempo revelar-se como o Filho do Homem a quem foi dada toda autoridade. Usando de seu poder, ele envia os onze discípulos à missão pelo mundo inteiro, derrama seus poderes sobre eles e ordena-lhes que continuem a sua obra, dizendo: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei. Eis que eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo”.

O Senhor é Deus, no céu e na terra - Dt 4,32-34.39-40.

Nenhum outro povo teve a experiência tal qual como Israel a provou. Foi escolhido e amado por Deus, ouviu a sua voz no Sinai e, no entanto, não pereceu, mas permaneceu vivo. Por essa experiência singular, o povo de Israel considerou o Senhor como seu Pai e seu único Deus do céu e da terra, e observou as suas leis para poder viver e não morrer. Pois que se Deus se afastasse do seu povo, então seria a morte. Mas Deus não se afastou.

O Espírito clama em nós: “Abbá, Pai!” - Rm 8,14-17

Deuteronômio nos apresenta Deus como Pai e doador da vida. Aqui em Romanos Paulo explica que desde a recepção do Batismo estamos unidos vitalmente a Deus por meio do Espírito de Deus então recebido. Com efeito não recebemos um espírito de escravo, mas, recebemos um espírito de filhos adotivos, pelo qual chamamos “Abbá, Pai”. E somos com Cristo coerdeiros do Reino, que é a vida do Pai.

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