A SEMANA SANTA-Dom Frei Caetano Ferrari, O F M



Domingo de Ramos

Com o domingo de hoje, chamado Domingo de Ramos ou da Paixão, inicia-se a Semana Santa. Nesta, pela Liturgia, a Igreja vive o maior dos mistérios da fé Cristã, a Páscoa. Páscoa é uma palavra hebraica que significa “passagem”; refere-se não a qualquer passagem, mas àquela que é especificamente aplicada na sua realidade mais profunda da morte para a vida de Cristo. No centro das celebrações estão o Tríduo Pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, e a Vigília Pascal que comemora a ressurreição do Senhor. Na Missa em que se benzem os ramos são proclamados dois Evangelhos. Marcos 11,1-10 põe em destaque a benção, a procissão com os ramos e a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. E Marcos 15,1-39 narra a paixão do Senhor. A palma da vitória sobre o pecado e a morte foi conquistada por Cristo que derramou da cruz o seu sangue para nos salvar.

Segunda, terça e quarta-feira santa

A segunda, terça e quarta-feira santa preparam-nos para o Tríduo Pascal. As celebrações levam-nos a contemplar o Servo sofredor, a sua Mãe Santíssima, que se encontrará com o seu Filho no caminho do Calvário e participará no mistério da dor do seu Filho crucificado a morrer pendente da cruz, Maria Madalena, que perfumou o corpo do Senhor, e o apóstolo Pedro, que chorou amargamente por ter negado o Senhor.

Quinta, sexta-feira e sábado santo

A quinta-feira santa tem dois momentos importantes. A Missa do Santo Crisma, de manhã, com a Liturgia da bênção dos santos óleos para os sacramentos onde acontece a sagrada unção: Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordem. E a Missa vespertina que dá início ao Tríduo Pascal. Nesta são celebrados os mistérios da Última Ceia: o novo mandamento, o lava-pés, a Eucaristia e o Sacerdócio ministerial. Tem-se presente a entrega de Jesus para ser crucificado, memorial de sua doação em toda Missa. Bem como a entrega que os cristãos fazem de si mesmos pela vivência do amor fraterno. A sexta-feira é o único dia em que a Igreja não celebra a Eucaristia. Há somente uma celebração da Palavra que comemora a morte de Cristo. Constam desta celebração leituras bíblicas, preces, adoração do Crucificado e Comunhão sacramental. No sábado santo, mas iniciando ainda na sexta-feira, a Liturgia nos leva a comemorar a Sepultura do Senhor, que é enriquecida pela Liturgia das Horas, a descida da cruz, o Sermão das Sete Palavras e a procissão do Senhor morto.

Vigília Pascal

Nesta noite santa, a Igreja celebra a Páscoa de Cristo, cabeça do Corpo, e a Páscoa dos seus membros, os cristãos. É a festa da vida nova do Cristo e dos cristãos. A Liturgia começa à entrada da Igreja com o rito do fogo novo, o acendimento do Círio pascal e a celebração da luz. A luz simboliza Jesus Cristo, que é Luz do mundo. Canta-se o solene “Exsultet” (Exulte), que é o grande louvor à luz, o Cristo ressuscitado. Destacam-se a Liturgia da Palavra centralizada na ressurreição e a Liturgia dos sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. O ponto alto de toda a celebração é a Eucaristia, ação de graças pela vida nova que nasce do Batismo, se desenvolve animada pelo Espírito e é sustentada na mesa do Cordeiro pascal. Em toda a Semana Santa palavras e gestos nos levam a celebrar com unção e fé os mistérios da paixão, morte e ressurreição do Senhor.

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