A POLÍTICA E A RELIGIÃO - Conversando com o Bispo de 15 de novembro de 2020.


A palavra católica (Universal, em grego) não combina com a palavra partido, mas rima perfeitamente com a palavra política. A preocupação sincera com o bem do próximo está na essência do cristianismo. Jesus nos ordenou: “amai-vos uns aos outros” (Jo 15,12). A política, como a Igreja, são instituições que têm a mesma finalidade prática: ajudar as pessoas a viver bem e ajudar a organizar o mundo com harmonia e equilíbrio (justiça e paz).

Os âmbitos e os métodos da política e da religião podem ser diferentes, mas a finalidade é a mesma, ou seja, organizar a convivência humana e elevar as pessoas ao melhor da sua humanidade. A religião tem um plus, que é a fé em Deus que dá o sentido profundo à realidade e revela a nossa origem divina e o nosso destino eterno.

Obviamente, tanto a religião como a política, como tudo aquilo que tem a participação humana, podem ser totalmente manipuladas, distorcidas e instrumentalizadas para interesses escusos. A religião e a política quando descuram da sua finalidade de fazer o bem, se apequenam por interesses mesquinhos que podem ser resumidos em dois: dinheiro e poder.

A política e a religião buscam o bem comum e o bem para todo homem e para o homem todo. Concordamos que o mundo está muito mal organizado, muito desigual e muito injusto. Milhões de pessoas estão sofrendo, carentes de tudo, enquanto uma minoria feliz acumula, esbanja e ostenta, absurdamente, uma excessiva posse de bens.

A religião e a política são duas irmãs que devem, de mãos dadas, reorganizar o mundo para que ele seja mais semelhante ao mundo que Deus planejou e criou. Queremos e sonhamos, sim, com o paraíso na terra e queremos, também nós, morar no jardim de Deus. O planeta Terra é o jardim de Deus e nós somos os jardineiros encarregados pelo Senhor para cuidar dele. Infelizmente, estamos não somente cuidando muito mal dele, mas, pior ainda, o estamos destruindo.

O nosso mundo está muito mal organizado porque estão faltando nele religião e política verdadeiras. A política sozinha, sem a religião, torna-se um corpo sem alma e terminará apodrecendo. A religião sozinha, sem a política, torna-se uma poesia ou, na pior das hipóteses, um devaneio. Como duas irmãs, elas devem caminhar juntas, mas são proibidas moralmente de se casarem. Seria incesto institucional. Toda vez, ao longo da história, em que a religião se casou com a política, elas geraram filhos monstruosos e terminaram em divórcio litigioso onde todos saíram perdendo.

As duas irmãs, embora diferentes entre si, são unidas pelo mesmo amor à humanidade e pelo cuidado do maravilhoso jardim terra que Deus criou e nos confiou. A propriedade do mundo pertence a Deus, nós temos somente o usufruto dele. O egoísmo e o orgulho cegam a alma. A fé é luz que faz enxergar longe.

Concluindo, a política e a religião devem se unir para combater o bom combate e não cair na tentação de uma querer levar vantagem e tirar proveito sobre a outra. A política partidária não deve usar a religião como trampolim para se promover e a religião não pode se prostituir mendigando o poder e as benesses que a política ruim oferece.

A atitude da Igreja Católica em valorizar a política em geral, mas ficar neutra e equidistante em relação a particular candidatura de um fiel católico nas eleições, é semelhante aos pais que aconselham e preparam longamente a filha para o casamento e, no final, têm que se retirar e manter certa neutralidade e distanciamento diante da livre escolha amorosa da filha.

Dom Rubens Sevilha, OCD.

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