A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES-Dom Frei Caetano Ferrari, O F M




A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

Encheram doze cestos com os pães que sobraram - Jo 6, 1-15.

No Evangelho do domingo passado, São Marcos registrou a chegada de Jesus com os apóstolos ao outro lado do mar da Galileia. Aí encontrou uma multidão à sua espera. Ele se compadeceu desta gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas sobre o Reino, mas no fim do dia viu que deviam estar com fome. No domingo de hoje e nos seguintes, porém, a Liturgia toma o Evangelho de São João, porque quer falar sobre o “sermão do Pão da Vida”, o qual não se encontra em São Marcos. Pois, São João diz que a multidão seguia a Jesus por causa dos sinais que ele operava nos doentes. Então, Jesus subiu ao monte e aí se sentou com os discípulos. São João recorda o tempo litúrgico dos judeus: “Estava próxima a Páscoa”. Na visão de São João, o sinal pascal remete a Jesus e leva a concluir que ele é o profeta e o rei-messias. Vendo a multidão, Jesus disse a Filipe: “Onde compraremos pão para alimentá-los?”. Ele falava assim para pôr à prova, porque sabia o que iria fazer. Filipe respondeu-lhe que nem duzentas moedas de prata dariam para comprar um só pedaço. André lhe disse: “Há aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantas pessoas?” Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas” e havia lá umas cinco mil pessoas. Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os, assim como os peixes, tanto quanto queriam. Depois que todos se saciaram, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei as sobras para que nada se perca”. Recolheram e encheram doze cestos. Os pães de cevada constituem o alimento dos pobres, mas sinalizam um dom de Deus e uma outra comida que Jesus dará, o Pão da Vida, a Eucaristia. Vendo, porém, o sinal que Jesus fez, as pessoas exclamavam: “Este é verdadeiramente o profeta, aquele que deve vir ao mundo”. Jesus, quando notou que queriam levá-lo para proclamá-lo rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

Assim diz o Senhor: “Comerão e ainda sobrará” - 2 Rs 4,42-44.

Eliseu mata a fome de cem pessoas com vinte pãezinhos de cevada e trigo novo, lembrando o milagre do maná durante a travessia do deserto. Este milagre é um paralelo ao milagre da multiplicação dos pães realizado por Jesus Cristo, conforme o Evangelho de São João lido hoje na Liturgia. Jesus é o verdadeiro Pão da vida. Ele supera Eliseu. Assim como no tempo do profeta Eliseu, o Pão da vida se multiplicará. Todos “comerão à vontade e ainda sobrará”.

Um só corpo, um só Senhor, uma só fé, um só batismo - Ef 4,1-6.

É pela causa do Senhor que Paulo está preso. Essa provação o torna participante da vida de Cristo. Ele também exorta os cristãos de Éfeso a serem fiéis à vocação que receberam do Senhor, mesmo sabendo que ela os submeterá a iguais provações. Na condição de prisioneiro, Paulo aprendeu a pôr em prática algumas virtudes básicas da vida cristã: humildade, mansidão, paciência, tolerância. A comunidade alcançará essa unidade vivendo estas virtudes. A unidade não é algo exterior, para que seja verdadeira deve realizar-se desde o íntimo do coração. Os fiéis a alcançam quando se deixam transformar pelo Espírito de Cristo. Então há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual os cristãos são chamados. Assim como é único o Senhor Jesus, que os justificou mediante uma única fé, que se torna visível no sacramento do Batismo. Há também “um só Deus e Pai”, que está presente e atua “em todos”. Mediante a ação do Pai, que se manifesta no seu Filho Jesus e atua por meio do Espírito, a comunidade eclesial constrói a sua unidade e coloca-se ao serviço da unidade de toda humanidade.

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