A GRAÇA DE SERVIR -Dom Frei Caetano Ferrari, O F M


Setembro, mês da Bíblia: Estamos dando especial atenção à leitura e meditação atenta e piedosa da Palavra de Deus escrita, a Sagrada Escritura, a Bíblia. A Igreja ensina que “A Sagrada Escritura se lê corretamente se for lida em atitude orante, ou seja, com a ajuda do Espírito Santo, sob cujo influxo ela surgiu. Ela contém a Palavra de Deus, isto é, a decisiva mensagem de Deus para nós” (Youcat,16). No entanto, a Bíblia é um livro difícil de ser interpretado. São Pedro, falando das Cartas de São Paulo, escreveu que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pd 3,16). Daí que ele adverte: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1,20-21). Por isso, o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita, a Bíblia Sagrada, ou transmitida oralmente, a Sagrada Tradição, foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, que disse aos Apóstolos e seus sucessores “até a consumação dos séculos”: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que vos ensinei... quem vos ouve a mim ouve”.

Quem quiser ser o primeiro, seja aquele que serve - Mc 9,30-37.

Foi difícil para os Apóstolos, também o é hoje para nós cristãos, compreender o mistério do Messias sofredor que será morto e que depois de três dias ressuscitará, mistério esse que Jesus anunciou pela segunda vez aos Apóstolos, conforme São Marcos narra nesta página do seu Evangelho. “Eles não compreenderam esta palavra e tinham medo de interrogá-lo”. Impossível negar que nós também muitas vezes ficamos discutindo sobre quem é o maior. Então, precisamos pedir a Jesus que coloque diante de nós uma criança e nos dê a graça da conversão: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último e aquele que serve a todos. Pois aquele que receber uma destas crianças por causa de meu nome, a mim recebe”. Servir a todos é como acolher a uma criança pelos valores que ela tem, é dedicar tempo àqueles que como uma criança no tempo de Jesus e de hoje não contam, não têm importância, não são capazes de retribuir com alguma recompensa ou pagamento. Jesus provocou os Apóstolos a ver as coisas de modo diferente, a se colocar ao lado dos pobres e necessitados em atitude de compaixão e solidariedade, mas também de humildade e serviço como últimos para serem primeiros no Reino. A provocação e o convite de Jesus valem também para nós hoje.

“Pedis, mas não recebeis, porque pedis mal” - Tg 3,16-4,3.

Segundo a Sabedoria que vem de Deus, é sábio aquele que sabe estabelecer relações fraternas respeitosas para com todos de tal sorte que consegue equilibrar em favor deles sentimentos de mansidão, misericórdia, bondade e imparcialidade. Pois, quando falta este equilíbrio e prevalecem o orgulho e a ambição, então surgem entre os irmãos, guerras e discórdias, não deixando lugar para a caridade e a oração eficaz.

A perseguição do justo - Sb 2,12.17-20.

Os ímpios estufam o peito de inveja contra o justo que considera Deus como Pai. Então, cheios de ódio, e por sua vida diferente, o reprovam e o condenam. Por isso, querem pô-lo à prova com insultos e ver se Deus vem libertá-lo da morte. É a história dos maus que querem arrastar os outros para o mal, igualando-os a eles.

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